Uma multidão assiste e se envolve em um espetáculo que celebra a vida. Basta que esse espetáculo termine para que todos se levantem, ou não, e comecem com diferenças de segundos a baterem palmas. Centenas de pessoas. Cada uma em um momento. Um caos.
Não precisa muito tempo para que essas palmas entrem em sintonia e ganhem força, todas ao mesmo tempo em sinal de gratidão e reconhecimento.
Esse mesmo caos unifica, cria sintonia e coloca cada pessoa dessa multidão no seu lugar de importância e igualdade nesse momento.
sábado, 19 de abril de 2014
sábado, 5 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Sobre o que fica gasto de tanto se dizer
O vídeo do filtro solar diz que conselho e uma forma de nostalgia. Pois eu, que sou ousada, digo ainda mais: Os clichês são uma forma de nostalgia. A juventude é uma dádiva, e se você é jovem ainda, amanhã velho será. O que, na verdade é bom, pois panela velha é que faz comida boa.
Mas vamos parar de encher linguica e ir direto ao ponto, pois para um bom entendedor, meia palavra basta.
Alguns dos que estão lendo esse texto, (talvez muitos) já tenham se deparado com a situação em que soltar um clichê se torna irresistível, quase como perguntar se macaco quer banana.
Onde não importa o que se diga, só o bom e velho "não é você, sou eu" ou o "siga o seu coração" vão conseguir traduzir exatamente o que você quer dizer. O que é uma pena, pois pra quem escuta uma frase dessas, as palavras ouvidas são só "blablablá era melhor ficar calado."
Não sei se vocês já repararam, mas os mais velhos são os senhores do clichê. Que usam sem dó, até desbotar os coitados. Criam ditos populares, jargões, e outros conselhos prontos ansiosos para serem usados. E quando tem uma oportunidade, ficam igual pinto no lixo.
Acontece que a medida que a gente vai ficando mais velho e vai tomando na cara pela vida... Essas frases fazem cada vez mais sentido e as vezes a gente até se arrepende por não ter dado atenção a elas antes.
Ah, se naquela época eu tivesse a cabeça que tenho hoje, as coisas seriam diferentes.
Não seriam, os clichês, uma forma de antecipar experiências? Um aviso de que não precisa se passar pela mesma coisa dos nossos pais, avós e tios, para aprender o que eles aprenderam, se simplesmente levarmos a sério as frases tão batidas que eles dizem? Confia em mim, eu sei o que tô dizendo!
E é por isso que eu digo que clichê é uma forma de nostalgia. Talvez essas pessoas apenas quisessem ter ouvido mais, ou um pouco antes, os clichês da vida, e por isso eles continuam se repetindo infinitamente. (afinal, água mole em pedra dura...)
Mas não se preocupe se não entendeu o que eu quis dizer, talvez entenda daqui há alguns anos. Ou não. Mas lembre se que o pior cego é aquele que não quer.
Obrigada por ter lido até aqui, um passarinho verde me falou que ler sobre clichês cansa. Se não quiser pensar mais sobre isso, não tem problema. Mas ocupe seu tempo, afinal cabeça vazia é oficina do capiroto.
Um beijo e um queijo!
Sara Melo.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Reconhecimento
"Não importa que você tenha nos ignorado e desacreditado durante esse tempo.
Nós estamos aqui.
Nós estamos acreditamos.
Estamos prontos para trabalhar."
Não se afobe, não
Quando você se senta com alguém e o silêncio aparece, você permite que o outro te olhe, observe e perceba-te além do que possas estabelecer como limite.
Do mesmo modo, ao ficar em silêncio, é mais fácil entrar em contato com questões e processos que talvez, não esteja tão a fim. O silêncio pode te deixar com uma sensação de vulnerabilidade quando acessa conteúdos não verbalizados. No entanto, a vulnerabilidade está contraditoriamente na negação, no desconhecimento das emoções, na falta de contato com a própria realidade.
Tão comum escutar hoje em dia - "falo muito, sou alegre. Tem que conversar, rir, contar as coisas, ter sempre muito, todos, infinitos assuntos, sem critério, falar de pessoas, falar de coisas. O mundo já tem muita tristeza". Sinto tanta contradição nessa postura, pois para mim, quanto mais contato com a realidade, mais plena e acolhida a pessoa está. Acolho minha tristeza, porque ela, assim como a alegria, é uma emoção básica, e meu corpo tem a sabedoria de obedecer aos meus comandos sem muita discriminação, de modo que quando fecha a parta para um sentimento específico, não se abrirá para outros.
Essa plenitude tão almejada se consegue trilhando caminhos mil do próprio conhecimento emocional, que demanda um certa grau de recolhimento.
Conversar é um recurso catártico maravilhoso e de potencialidade terapêutica infinita. Que não se transforme em fuga desse contato, dessa realidade.
Do mesmo modo, ao ficar em silêncio, é mais fácil entrar em contato com questões e processos que talvez, não esteja tão a fim. O silêncio pode te deixar com uma sensação de vulnerabilidade quando acessa conteúdos não verbalizados. No entanto, a vulnerabilidade está contraditoriamente na negação, no desconhecimento das emoções, na falta de contato com a própria realidade.
Tão comum escutar hoje em dia - "falo muito, sou alegre. Tem que conversar, rir, contar as coisas, ter sempre muito, todos, infinitos assuntos, sem critério, falar de pessoas, falar de coisas. O mundo já tem muita tristeza". Sinto tanta contradição nessa postura, pois para mim, quanto mais contato com a realidade, mais plena e acolhida a pessoa está. Acolho minha tristeza, porque ela, assim como a alegria, é uma emoção básica, e meu corpo tem a sabedoria de obedecer aos meus comandos sem muita discriminação, de modo que quando fecha a parta para um sentimento específico, não se abrirá para outros.
Essa plenitude tão almejada se consegue trilhando caminhos mil do próprio conhecimento emocional, que demanda um certa grau de recolhimento.
Conversar é um recurso catártico maravilhoso e de potencialidade terapêutica infinita. Que não se transforme em fuga desse contato, dessa realidade.
Que nada é pra já.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Minhas silenciosas palavras
Gostaria que eu soubesse como traduzir em palavras todos os
sentimentos que brotam profusamente de Minh ‘alma.
Poder transformar uma angústia em várias letras juntas
formando conjuntos de símbolos que se lidos num prisma correto faria com que
tudo num instante de magnânima revelação fizesse sentido.
Em outra esfera cósmica minhas palavras cativam.
São tantos outros bons tradutores de palavras que a
concorrência desleal quase me fez desistir de escrever, mas quem sabe não seja
esse pequeno rompante de insanidade pura aliada a uma vontade enorme de tocar
sua alma que não te faça perceber que eu não sei falar, mas que tento desmesuradamente
juntar em versos a elucidação de mim.
Esses trechos voarão com o vento frio que entra pela brecha
da janela e serão entregues ao mundo, juntando-se a todos os outros gritos e
preces que foram lançados ao pálio celeste.
Não sei se alguém em algum lugar os escutará, mas eu os
escuto.
Tudo o que recebo de volta são os ecos tristes de um lugar
vazio.
Tainha :)
Não dito que aprisiona
O
segredo dos seus olhos é surpreendente, te desconcertar nos últimos minutos
quando você pensa que nada poderia ser mais mobilizador que a cena de abuso
logo no início. O deslumbre das prisões que o silêncio cria, incita a reflexão
do poder que as palavras possuem para influenciar, aprisionar, amordaçar, mas
também libertar vidas. Várias vidas, cada qual a seu modo influenciadas pelas consequências
do que não foi dito e da necessidade de se ouvir. O cara amordaçado por
sentimentos que o inundam de impotência, muito bem representado pelo bilhete
que traduz o que sente “TEMO”; passo importante para libertá-lo quando consegue
acrescentar a letra "A" no meio do seu bilhete. Outra vida presa na ânsia do ouvir o
que nunca foi dito. E a súplica catatônica: “se ele ao menos falasse comigo”
que cela a prisão de existências amordaçadas pelo silêncio.
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